Doação realizada pela família de Orlando Zilli preserva a memória do “eterno bandeirante” e reforça a história cultural de Porto Feliz
A memória e o legado cultural de Orlando Zilli foram homenageados nesta semana com a doação do traje de bandeirante que ele utilizou por mais de cinco décadas na Semana das Monções. Por iniciativa da contadora de histórias e professora Sonia Jaqueline Oliveira, amiga do homenageado, o conjunto foi incorporado ao acervo permanente do Museu Histórico e Pedagógico das Monções, onde ficará exposto para visitação pública.
A oficialização da doação foi feita pelos filhos de Orlando Zilli, que entregaram o traje completo — composto por camisa, colete, calça, cinto, bolsa, bota, talabarte, réplica de trabuco, faca, capa, lenço de cabeça, além de foto e placa — como forma de preservar a memória de uma das figuras mais emblemáticas da cultura porto-felicense. A carta de doação foi destinada ao prefeito Célio Peixoto e recebida pelo secretário de Cultura, Esporte e Turismo, Bruno Mendonça. O documento foi assinado por todos os presentes e estabelece o compromisso do município com a manutenção, uso e exposição dos itens exclusivamente para a finalidade cultural prevista.
Com o gesto, a trajetória de Orlando Zilli passa a ser preservada institucionalmente, reforçando a importância histórica da Semana das Monções e sua contribuição para a identidade cultural de Porto Feliz.
Nascido em 21 de outubro de 1932, em Mombuca (SP), Orlando Zilli veio ainda jovem para Porto Feliz, onde iniciou a vida profissional ao lado do pai, Ludovico Zilli, vendendo água pelas ruas da cidade. Trabalhou como açougueiro no antigo mercadão, no então Largo da Penha — atual Praça Duque de Caxias — e construiu sua história pessoal e familiar ao lado da esposa Thereza Baptistella Zilli, a “Tere”, com quem viveu por 63 anos e teve cinco filhos.
No início do casamento, morou na Fazenda do sogro, Evaristo Baptistella, na estrada municipal da Glória, onde atuou como lavrador, dono de armazém e capelão da Paróquia São José, enquanto a esposa exercia a catequese. De volta à área urbana de Porto Feliz, em 1965, trabalhou no Açougue do Baleia, passou pela feira livre e, com o apoio de Tere, fundou a “Nossa Quitandinha”, na rua Cândido Motta. O comércio cresceu, tornou-se uma mercearia de grande movimento e permaneceu ativo até o ano 2000, garantindo o sustento e a formação dos filhos.
Sempre participativo, Orlando Zilli também deixou sua marca no esporte local como técnico e jogador de futebol, tendo ajudado a formar o “Primos Unidos Futebol Clube”. Apaixonado pela história das monções, participa do Desfile Histórico e Pedagógico desde 1966, integrou o grupo Teatro Monções, foi figurante ativo e patrono do Grupo de Narração Oral Tradicional “Viva História Viva”, além de presença constante nas festividades religiosas, conduzindo andores em celebrações tradicionais da cidade.
Ao longo da vida, recebeu diversas homenagens, entre elas o título de Cidadão Porto-Felicense (2002), Honra ao Mérito pelos 51 anos de participação no desfile histórico (2017) e o Prêmio Décano Cultural (2019). Conhecido como o “eterno bandeirante”, Orlando Zilli é lembrado como exemplo de dedicação, bondade e espírito comunitário.
Com a doação do traje ao Museu Histórico e Pedagógico das Monções, sua história permanece viva, acessível às novas gerações e eternizada como parte fundamental do patrimônio cultural de Porto Feliz.
Gratidão por compartilharem 🙏 belíssima reportagem do nosso eterno amigo Sr Orlando Zilli o qual foi um ser humano espetacular nesta vida passageira…