A Igreja Matriz de Nossa Senhora Mãe dos Homens, em Porto Feliz, possui cerca de 276 anos e é um dos principais marcos históricos e religiosos do município. Construída a partir de 1747 e consagrada em 1750, a igreja se torna, especialmente durante a Semana Santa, o centro das celebrações católicas, reunindo a comunidade em momentos de fé, tradição e reflexão.
Antes da atual matriz, a cidade contava com a Capela de Nossa Senhora da Penha, ativa entre 1700 e 1728, localizada no atual Largo da Penha. Na época, a população enfrentava dificuldades pela ausência de sacerdote fixo, sendo obrigada a se deslocar até Itu por caminhos precários para realizar batizados e casamentos. Em 1728, a capela foi elevada à condição de freguesia e, pouco depois, foi oficialmente criada a paróquia local, garantindo assistência religiosa aos moradores.
A construção de uma nova igreja foi determinada pelo bispado, que não autorizou a ampliação da antiga capela e indicou a edificação de um novo templo em outro local. A nova igreja foi dedicada a Nossa Senhora Mãe dos Homens, devoção surgida em Portugal no final do século XVII e trazida ao Brasil no início do século XVIII, inicialmente em Minas Gerais, antes de chegar a Porto Feliz.
Erguida em taipa de pilão, técnica construtiva típica do período colonial, a igreja foi construída com mão de obra escravizada. A imagem da padroeira, esculpida em Portugal, foi adquirida com recursos provenientes do ouro das minas de Cuiabá, além de contribuições dos moradores da época, demonstrando o envolvimento da comunidade na formação do patrimônio religioso local.
A importância histórica e arquitetônica da Igreja Matriz é reconhecida há décadas. Ainda nos primeiros anos de atuação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, equipes foram enviadas à cidade para registrar o templo. As fotografias produzidas na década de 1940 seguem como referência até hoje para projetos de preservação, reforçando o valor da igreja como um dos mais importantes patrimônios culturais de Porto Feliz.
Além de seu valor histórico, a igreja permanece como um importante ponto de encontro da comunidade, mantendo viva a tradição religiosa e cultural ao longo das gerações, sendo símbolo de identidade e memória para os moradores da cidade.


