Visita ao Museu das Monções, Parque das Monções e Praça Duque de Caxias aproximou estudantes da história, cultura e patrimônio de Porto Feliz
Em uma verdadeira aula ao ar livre, os alunos dos 6º anos A, B e C da E.M.E.F. Professor Antônio de Pádua Martins de Melo participaram de um passeio pedagógico pelos principais patrimônios históricos e culturais de Porto Feliz. A atividade integra um projeto interdisciplinar desenvolvido pelos professores Urias de Oliveira, das disciplinas de História e Geografia, e Cibele C. Ienne Torres, de Língua Portuguesa. A ação teve como objetivo aproximar os estudantes da história local, despertando o sentimento de pertencimento, a valorização cultural e a preservação da memória da cidade.
O roteiro da visita incluiu o Museu das Monções, o Parque das Monções e a Praça Duque de Caxias, locais considerados fundamentais para compreender a formação histórica, econômica e cultural do município.
Durante a visita ao Museu das Monções, os alunos conheceram um dos prédios históricos mais importantes de Porto Feliz. A construção, com mais de 200 anos, já serviu como residência militar no período colonial e também abrigou, em tempos mais recentes, a tradicional Escola Coronel Esmédio.
O professor Urias explicou aos estudantes detalhes sobre a arquitetura do edifício, destacando que a parte inferior foi construída com antigos tijolos artesanais do período colonial, enquanto a parte superior é feita em taipa de pilão — técnica antiga que utilizava barro misturado com fibras vegetais, bambu e até fezes de animais para garantir resistência às paredes.
Outro fato que despertou a curiosidade dos alunos foi a informação compartilhada por José Bertoncelo, funcionário que acompanhou a visita, de que Dom Pedro II passou uma noite no prédio durante suas viagens pelo interior paulista.
No interior do museu, os estudantes observaram móveis históricos dos séculos XVIII e XIX, documentos antigos, obras do pintor portofelicense Juliano Dalsoglio e exposições relacionadas às Monções, importantes expedições fluviais que partiram de Porto Feliz rumo ao interior do Brasil durante o período colonial. Os alunos também conheceram informações sobre a Expedição Langsdorff, organizada pelo naturalista e pesquisador russo-alemão Barão Georg Heinrich von Langsdorff, que percorreu diversas regiões do Brasil no século XIX com o objetivo de catalogar espécies da fauna e da flora brasileiras, além de registrar aspectos culturais, geográficos e sociais do país para estudos científicos na Europa.
A exposição sobre as navegações das Monções chamou a atenção dos estudantes por apresentar mapas, objetos históricos e informações sobre os aventureiros que desbravavam rios em busca de ouro e de novas rotas comerciais.
No Parque das Monções, o grupo conheceu importantes marcos históricos e naturais da cidade. Entre eles, o Monumento às Bandeiras, símbolo da relação de Porto Feliz com as expedições bandeirantes e monçoeiras, além do antigo porto localizado na margem esquerda do Rio Tietê, de onde partiam as famosas expedições das Monções rumo ao interior do Brasil.
Durante a explicação, os alunos aprenderam que os monçoeiros enfrentavam viagens longas e perigosas pelos rios Tietê, Paraná e Paraguai em busca de ouro, pedras preciosas e novas rotas comerciais, principalmente em direção à região de Cuiabá, no atual estado do Mato Grosso. As viagens podiam durar meses e exigiam grande resistência física, já que os expedicionários enfrentavam corredeiras, doenças, ataques de animais e dificuldades naturais ao longo do percurso. Porto Feliz tornou-se um dos principais pontos de partida dessas expedições fluviais no período colonial, ficando conhecida nacionalmente como a “Cidade das Monções”.
Outro ponto de destaque da visita foi o famoso Paredão Salitroso, importante formação geológica e histórica localizada às margens do Rio Tietê. O local possui características naturais que remontam a períodos muito antigos da formação do relevo regional, sendo associado por estudiosos a processos geológicos ocorridos ainda na era glacial. O paredão apresenta grande concentração de sais minerais em suas rochas, fato que, segundo as explicações durante a visita, atraía araras e diversas outras aves, que bicavam a superfície salitrosa para auxiliar na digestão e na suplementação mineral.
Além de sua relevância ambiental, o local também desperta interesse científico e arqueológico. Estudos realizados na região apontam a existência de vestígios da presença humana antiga nas proximidades do Rio Tietê, reforçando a importância histórica e natural do espaço para a compreensão da ocupação do território paulista ao longo dos séculos.
“O objetivo não é apenas ensinar datas ou fatos históricos, mas fazer com que os alunos entendam que a cidade onde vivem possui uma riqueza cultural e natural extremamente importante. Quando conhecemos nossa história, aprendemos também a preservá-la”, destacou o professor Urias durante a atividade.
O passeio também passou pela Praça Duque de Caxias, considerada um dos principais berços históricos de Porto Feliz. Foi naquela região que a cidade começou a se expandir urbanamente. Os estudantes conheceram a importância da antiga Alfândega, utilizada pela Coroa Portuguesa para a cobrança do chamado “quinto do ouro”, sistema de tributação do período colonial. O professor também explicou que a praça já abrigou o antigo pelourinho, símbolo do poder colonial e da escravidão no Brasil.
Além disso, o local teve a primeira igreja da cidade e sediou importantes instituições históricas, como delegacia, Câmara Municipal e outros órgãos públicos que ajudaram a construir a trajetória administrativa de Porto Feliz.
A atividade foi marcada pela participação ativa dos estudantes, que fizeram perguntas, observaram detalhes arquitetônicos e demonstraram entusiasmo durante todo o percurso. Para muitos alunos, a experiência representou a oportunidade de conhecer de perto locais históricos que, apesar de fazerem parte do cotidiano da cidade, muitas vezes passam despercebidos pela população.
O passeio pedagógico reforça a importância das aulas de campo no processo educacional, permitindo que o aprendizado ultrapasse os limites da sala de aula e transforme a própria cidade em espaço de conhecimento, reflexão e construção da cidadania.
Para o professor Urias de Oliveira, experiências como essa fortalecem o vínculo dos estudantes com a própria história. “Quando o aluno conhece os espaços históricos da cidade onde vive, ele passa a compreender melhor sua identidade cultural e a importância de preservar o patrimônio histórico, ambiental e social para as futuras gerações”, destacou.Já a professora Cibele C. Ienne Torres ressaltou que o contato direto com os patrimônios culturais amplia o processo de aprendizagem e contribui para a formação humana dos estudantes. “A educação vai além da sala de aula. Trabalhar a história local, a leitura dos espaços urbanos e os valores culturais permite que os alunos desenvolvam senso crítico, pertencimento e respeito pela memória coletiva da cidade”, afirmou.


