Retrato evidencia conquistas sociais e obstáculos que ainda limitam a igualdade de oportunidades
Os dados do Censo 2022 revelam um retrato detalhado da realidade das mulheres de Porto Feliz e mostram avanços importantes na educação feminina, maior protagonismo na chefia de famílias e desigualdades ainda presentes no mercado de trabalho e na renda.
O levantamento aponta que as mulheres porto-felicenses possuem maior presença no ensino superior completo do que os homens. Segundo os números, 3.125 mulheres concluíram a graduação no município, contra 2.386 homens. As mulheres representam cerca de 56,7% das pessoas com ensino superior completo em Porto Feliz. Já nos níveis mais baixos de escolaridade, os homens aparecem ligeiramente acima, com 6.282 pessoas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, enquanto entre as mulheres o número é de 6.118.
Apesar do avanço educacional, os dados mostram que mulheres com deficiência ainda enfrentam mais dificuldades no acesso à educação. Entre elas, 1.170 possuem sem instrução ou fundamental incompleto, enquanto apenas 118 concluíram o ensino superior. Isso significa que cerca de 61,4% das mulheres com deficiência estão concentradas nos níveis mais baixos de escolaridade. Entre as mulheres sem deficiência, o cenário é diferente: 6.946 possuem ensino médio completo ou superior incompleto e 2.773 concluíram a graduação.
Outro dado que chama atenção no levantamento é o protagonismo feminino nos lares monoparentais. Dos 2.397 domicílios desse tipo registrados em Porto Feliz, 2.004 são liderados por mulheres e apenas 393 por homens. Na prática, isso significa que 83,6% dessas famílias têm mulheres como responsáveis, enquanto os homens representam apenas 16,4%.
O estudo também mostrou que a maioria das mulheres trabalha no próprio município. Segundo os números, 8.182 mulheres exercem atividade profissional em Porto Feliz, enquanto 2.512 trabalham em casa ou na própria propriedade e 599 trabalham em outras cidades. Os dados indicam forte vínculo das trabalhadoras com a economia local.
Quando o assunto é deslocamento ao trabalho, o automóvel aparece como principal meio de transporte utilizado pelas mulheres. Entre as mulheres brancas, 54,55% usam automóvel ou táxi, enquanto 22,92% vão a pé e 13,61% utilizam transporte coletivo. Já entre mulheres pretas e pardas, o uso do automóvel cai para 42,54%, enquanto o transporte coletivo sobe para 24,22% e o deslocamento a pé chega a 25,03%. Os números revelam diferenças sociais e econômicas que também impactam a mobilidade urbana feminina.
A desigualdade salarial continua sendo um dos principais desafios apontados pelo Censo. As mulheres de Porto Feliz possuem renda média mensal de R$ 2.192,53, enquanto os homens recebem, em média, R$ 2.911,39. A diferença chega a R$ 718,86 por mês. Na prática, o rendimento feminino representa 75,31% da renda masculina. O levantamento mostra ainda que, no setor privado, as mulheres recebem cerca de 81,54% do salário dos homens, enquanto no setor público o índice é de 75,51%. A única exceção aparece no trabalho doméstico, em que o rendimento feminino supera o masculino, alcançando 165,56%.
Os dados sobre ocupação também revelam disparidades importantes. Em Porto Feliz, 11.411 mulheres estavam ocupadas no período analisado, enquanto 13.037 estavam fora do mercado de trabalho. Isso significa que 53,3% das mulheres não estavam ocupadas, contra 46,7% que exerciam alguma atividade profissional. Entre os homens, o cenário é inverso: 63,7% estavam ocupados e 36,3% não ocupados.
A pesquisa também analisou a maternidade no município. Entre mulheres brancas, 2,23% tiveram filhos entre 15 e 19 anos. O percentual sobe para 30,28% entre 20 e 24 anos, chega a 39,01% entre 25 e 29 anos e alcança 56,91% entre 30 e 34 anos. Os números demonstram crescimento gradual da maternidade com o avanço da idade.
Outro indicador social importante envolve a convivência com companheiro. Entre mulheres sem deficiência, 66% vivem com companheiro. Já entre mulheres com deficiência, o índice cai para 50,3%. Entre os homens, os percentuais são de 62,9% para aqueles sem deficiência e 59,3% entre os que possuem deficiência.
Na área da educação, a frequência escolar feminina é praticamente universal entre meninas de 6 a 14 anos, atingindo 99,22%. Entre adolescentes de 15 a 17 anos, o índice permanece elevado, chegando a 84,58%. Já após os 18 anos ocorre forte queda: apenas 15,66% das mulheres entre 18 e 24 anos continuam frequentando instituições de ensino, enquanto entre mulheres com 25 anos ou mais o percentual é de apenas 3,11%.
O levantamento ainda mostra que a maior parte das mulheres leva pouco tempo para chegar ao trabalho. Cerca de 37,31% gastam entre 6 e 15 minutos no deslocamento, enquanto 30,37% levam entre 16 e 30 minutos. Outras 12,42% conseguem chegar ao trabalho em até cinco minutos. Apenas 4,66% enfrentam trajetos entre uma e duas horas, e 0,55% levam de duas a quatro horas. Nenhuma mulher declarou deslocamento superior a quatro horas.
O conjunto dos dados do Censo revela um cenário de avanços importantes para as mulheres de Porto Feliz, especialmente na educação e no protagonismo familiar. Ao mesmo tempo, os números evidenciam desigualdades persistentes na renda, na ocupação profissional e nas condições sociais, principalmente entre mulheres com deficiência e grupos racialmente mais vulneráveis.

