Internada desde o acidente ocorrido no fim de junho, Stefani teve nove órgãos e tecidos captados após autorização da família, beneficiando pacientes na fila de transplantes
A despedida da jovem porto-felicense Stefani Domingos Moreira, de apenas 19 anos, emocionou familiares, amigos e toda a comunidade. Além da tristeza pela perda precoce, sua história passou a ser lembrada também pelo gesto de solidariedade da família, que, em meio ao luto, autorizou a doação de seus órgãos, permitindo que outras pessoas tenham uma nova oportunidade de viver.
Stefani faleceu após permanecer internada por alguns dias em decorrência de um acidente de trânsito registrado na noite de 29 de junho, nas proximidades da Base do Corpo de Bombeiros de Porto Feliz.
Ela estava na motocicleta da família ao lado do pai quando o veículo teria escorregado sobre uma mancha de óleo na pista. Desde o acidente, amigos, familiares e moradores da cidade acompanharam sua luta pela recuperação por meio de correntes de oração e diversas manifestações de apoio.
Com a confirmação da morte encefálica, a família foi informada sobre a possibilidade da doação de órgãos. Embora o assunto nunca tivesse sido discutido entre eles, a resposta foi imediata. “Se ela podia ajudar outras pessoas, não pensamos duas vezes”, resumiram os familiares, que decidiram transformar um dos momentos mais difíceis de suas vidas em um ato de amor ao próximo.
Ao todo, foram captados nove órgãos e tecidos, entre eles coração, rins, fígado, pâncreas e córneas, que seguiram para pacientes que aguardavam na fila de transplantes. Toda a operação mobilizou cerca de 30 profissionais da Santa Casa de Misericórdia de Porto Feliz, além de equipes responsáveis pelo transporte terrestre e aéreo, garantindo que os órgãos chegassem rapidamente aos centros transplantadores.
A família também fez questão de destacar o trabalho realizado pelos profissionais da Santa Casa, ressaltando que a estrutura e a preparação da equipe foram fundamentais para tornar possível um procedimento de tamanha importância.
Moradora da Fazenda CAIC Agrogila, Stefani era descrita pelos familiares como uma jovem tranquila, meiga e sempre sorridente. Mesmo após a perda da mãe, Érica Bragantim Domingos Moreira, há oito anos, manteve a alegria e a esperança no futuro. Sonhava em conhecer a Europa, cursar Psicologia — embora também tivesse interesse pela Administração — e vivia um momento especial da vida ao conquistar seu primeiro emprego com carteira assinada.
O velório e o sepultamento reuniram familiares, amigos e moradores de Porto Feliz em uma despedida marcada por forte emoção e aplausos. Em meio à tristeza da partida precoce, a decisão da família permitiu que o nome de Stefani permanecesse vivo por meio do gesto mais nobre que alguém pode oferecer: a oportunidade de salvar outras vidas. Seu legado ultrapassa a dor da despedida e passa a representar esperança para famílias que aguardavam por um transplante.
