Segundo relato das vereadoras, ocorrência foi registrada após Nino proferir as expressões “você é uma comprada e vendida” durante a sessão da Câmara
A sessão da Câmara Municipal de Porto Feliz realizada na noite desta quarta-feira (12) terminou na delegacia de polícia após uma série de discussões envolvendo o vereador Pascoal Laturrague, o Nino, e as vereadoras Pastora Roselene dos Santos, presidente do Legislativo, e Dra. Ana Paula.
Após o encerramento dos trabalhos, Roselene e Ana Paula procuraram a Delegacia de Polícia de Porto Feliz e registraram boletins de ocorrência relatando episódios ocorridos durante a sessão. Os vereadores Marcelo Tuani e Paulo Adriano Benedetti também prestaram declarações na condição de testemunhas dos acontecimentos.
Os documentos mostram que o clima de tensão começou durante os debates realizados no plenário e envolveu críticas feitas por Nino a integrantes do governo municipal e, especificamente, à administração da Santa Casa de Misericórdia de Porto Feliz.
Votação de homenagem
Segundo o termo de declaração prestado pela presidente da Câmara, Pastora Roselene, que também acompanhou a sessão, relatou à Polícia Civil que Nino, durante o uso da palavra, fazia críticas relacionadas à homenagem que estava sendo discutida no Legislativo.
De acordo com o depoimento, diante da situação, a presidente da Câmara teria intervindo para solicitar que o vereador se ativesse ao tema em discussão e respeitasse a ordem dos trabalhos legislativos.
Foi nesse momento, segundo o relato registrado na delegacia, que Nino teria passado a dirigir ofensas à presidente. Entre as expressões atribuídas ao vereador estão “você é puxa-saco”, “você é uma comprada” e “uma vendida”.
A declaração de Tuani à Polícia Civil corrobora esse episódio. O vereador afirmou que estava presente durante a sessão e que presenciou a discussão. Segundo ele, Nino teria dirigido as mesmas expressões à presidente da Câmara durante a intervenção de Roselene.
Dra. Ana Paula
Outro ponto relatado nos documentos está relacionado à vereadora Dra. Ana Paula.
Segundo o termo de declaração prestado por ela, Nino teria feito críticas ao setor de saúde do município durante seu pronunciamento, adotando, conforme seu relato, “tom de voz elevado e postura considerada agressiva”.
A vereadora afirmou à Polícia Civil que as manifestações estavam relacionadas à administração da Santa Casa de Misericórdia de Porto Feliz, instituição com a qual mantém relação profissional.
Ainda de acordo com a declaração, durante a fala, Nino teria afirmado que a diretoria da Santa Casa seria “incompetente”, acrescentando que seria necessária a substituição dos integrantes da administração da instituição.
A declaração de Marcelo Tuani também registra esse episódio. Segundo o vereador, Nino teria utilizado tom de voz elevado e uma postura que ele considerou agressiva ao fazer críticas ao setor da saúde e à administração da Santa Casa.
Aparte
Durante o pronunciamento de Nino, Dra. Ana Paula pediu uma parte para responder às afirmações, mas, segundo o relato feito à reportagem e o contexto registrado nos documentos, o pedido foi recusado.
Nino teria afirmado que a vereadora queria utilizar o espaço para “defender o governo”.
Reação
Marcelo Tuani e Paulo Benedetti, que estavam inscritos para falar em Tema Livre, utilizaram parte de seus respectivos tempos para permitir que Dra. Ana Paula respondesse às críticas feitas durante o pronunciamento anterior.
Na prática, os dois vereadores abriram espaço para que a colega pudesse apresentar sua versão e rebater os questionamentos relacionados à Santa Casa e à área da saúde.
Delegacia
A situação mais grave, entretanto, ocorreu no final da sessão. Segundo o relato apresentado pela Pastora Roselene à Polícia Civil, depois de chamar a atenção de Nino em razão de sua conduta durante os trabalhos legislativos, o vereador teria respondido de maneira considerada ofensiva.
De acordo com a declaração, as palavras dirigidas à presidente foram “puxa-saco”, “comprada” e “vendida”.
Indignada com o episódio, Roselene deixou a Câmara e foi até a Delegacia de Polícia de Porto Feliz para registrar a ocorrência.
O atendimento se prolongou por mais de uma hora até que os fatos fossem formalizados.
Testemunhas
Além das declarações das duas vereadoras, os documentos apresentados à Polícia Civil incluem o depoimento de Marcelo Tuani, que afirmou ter presenciado os acontecimentos.
O vereador relatou que estava na Câmara durante a sessão e confirmou tanto as manifestações de Nino relacionadas à presidente quanto as críticas feitas à área da saúde e à administração da Santa Casa.
Paulo Adriano Benedetti também aparece como testemunha dos episódios relatados pelas vereadoras.
Documentos
Os registros policiais não representam, por si só, uma conclusão sobre a ocorrência dos crimes ou sobre eventual responsabilidade criminal. Eles formalizam as versões apresentadas pelos envolvidos e servem como registro para eventual apuração pela Polícia Civil.

